Um morcego que lê, escreve e ensina

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1bf6d149-0b66-433b-8237-6c8a36ed3d77BatPat_Tesouro_W221As crianças me apresentaram a Bat Pat: um morcego escritor que, durante uma fuga espetacular e perigosa, acabou sendo salvo por três irmãos – com idade entre 8 e 10 anos. A “saga” de Bat Pat é escrita pelo professor italiano Roberto Pavanello e começou com Bat Pat – O tesouro do cemitério, lançado pela Fundamento, em 2009. Em meio a histórias divertidas de mistério, se aprende um pouco de História, Geografia e até Biologia, a depender do volume – já são 11, de acordo com o site da editora.

Já no início de O tesouro do cemitério, o morceguinho se apresenta como autor de livros de suspense – “aqueles que falam de bruxas, fantasmas, cemitérios… histórias de arrepiar ! Mas tenho de confessar um segredo: na verdade, eu sou um grande medroso!”. Por isso, cada vez que se vê em apuros, ele solta a mesma frase – ” Ai, que medo medonho !” – , que, ao menos aqui em casa, faz o maior sucesso em nossas sessões de leitura.

Ao longo da narrativa, Bat Pat vai revelando outros mistérios. Aprendeu a falar quando morava em uma biblioteca – “à tarde, o bibliotecário lia em voz alta para as crianças. Era muito bom !” – onde também aprendeu a escrever:

“A coisa mais difícil, porém, foi convencer os três de que, além de falar, eu sabia escrever (sempre por mérito daquele velho bibliotecário) e que escrevia justamente…. histórias de terror”

Com um média de 100 páginas, os livros são recomendados para crianças com idade entre 8 e 11 anos, mas o Lucas desde os 6 já os curtia , sobretudo quando eu  os lia em voz alta.

Ao final de cada volume, jogos e curiosidades ajudam a fixar os temas que permearam cada uma das aventuras dos personagens. Para quem gosta de mistério com humor, eis uma boa pedida.

 

 

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Quem quiser que conte outra…

Por Nisia Rizzocapa_nao_era_uma_vez

Este livro é para quem passou a infância sem digerir direito as agruras nas vidas de alguns personagens de contos clássicos: madrastas megeras, vovozinha doente, lobo mau à espreita, abandono de crianças em plena floresta…  Mas também pode agradar, principalmente, a garotada que já teve acesso aos contos clássicos, porque aqui temos recontos muito bem escritos e humorados, reunidos na coletânea “Não era uma vez…” (Ed. Melhoramentos) por autores de diferentes nacionalidades latino-americanas, inclusive do Brasil. O livro tem o selo Co-edição Latino-americana, iniciativa da Unesco para divulgar a produção literária desses países entre si.

Um dos melhores recontos do livro é “A historia de Cinderela tal como me contaram”, da argentina Adela Basch. Dá pra imaginar uma Cinderela sem maus tratos? Maníaco-obsessiva por limpeza? Que não deixa a pobre madrasta e suas filhas camponesas sequer espanarem as peças luxuosas do palácio onde viveu muitos anos apenas ao lado do pai? E que se casa com um príncipe insuportável como ela, outro maníaco-obsessivo por limpeza, com quem nenhuma moça queria se casar?

Em “O vestido novo da imperatriz”, reconto de Heriberto Tejo, do clássico de conotações politicas “A roupa nova do rei”, quem manda no pedaço é a mulher e os costureiros malandros não conseguem enganá-la, claro! E a Chapeuzinho de “Antecedentes de uma famosa historia”, da colombiana Carolina Alonso, é uma adolescente convencida que arma uma humilhante cilada para um admirador secreto, que por sua vez se transforma num bicho terrível.

“Os três porquinho e o lobo-guará”, do escritor e ambientalista brasileiro Angelo Machado, é outro dos melhores, porque é mesmo difícil decidir qual dos recontos é o melhor. O saque genial de nosso representante brasileiro na coletânea é incluir na historia um animal de nossa fauna, ameaçado de extinção, mas que, apenas na historia, é frugívoro… por esses dois motivos, ele ganha a simpatia dos porquinhos. Mas nem tudo é possível  contar aqui, porque o melhor mesmo é acompanhar os fios das historias, como no reconto “Rapunzel (e uma grande desordem)”, de Beatriz Huidobro, do Chile, em que pedaços de muitos clássicos dourados estão trançados e servem de escada para uma boa leitura.

Nisia Rizzo de Azevedo é mãe de três crianças, para quem adora (re)contar historias, além de jornalista e professora. Email: nisiarizzo@yahoo.com.br

 

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Cotidianos

 

 

Fato é que não consigo cumprir minhas promessas. Isto eu já sabia, mas agora coloco a questão em escala internética. Prometi uma crônica a cada dois dias e não consegui. Poderia culpar a agenda lotada. Poderia culpar a falta de inspiração, a crise mundial, o furacão Sandy, as eleições norte-americanas, o recesso do STF, as dores na lombar.  Poderia. Mas não, não farei isto. A culpa é desta falta de rigor para cumprir promessas que talvez seja o motivo de eu ter desistido de ser uma católica praticante: naquela época eu pedia, pedia, pedia, prometia mundos e fundos para os santos e, quando alcançava a graça solicitada, na hora dos agradecimentos parava na segunda Ave Maria e olhe lá. Sou um caso perdido.

Ao menos deveria ter uma boa história para contar hoje, mas não tenho. Nada. Vidinha besta esta. Os dias continuam com 24 horas, as horas com 60 minutos, os minutos com 60 segundos. O Natal já se aproxima – de novo ! – e o Palmeiras parece que vai cair para a segundona – de novo ! Adriano, do Flamengo, faltou ao treino – de novo ! – e Glória Perez assina uma nova novela que tem parte da história em um país “exótico” do outro lado do oceano.

Ah, o Jornal da Tarde acabou. Isto é novidade, mas é daquelas que considero melhor nem comentar. O mundo também parece que vai acabar. Para muita gente, aliás, já acabou. Para outros, continua lindo, como o Rio de Janeiro. No Rio de Janeiro, diga-se, já é verão. Em Balneário Camboriú, os turistas deste feriadão também acham que é: têm de fazer valer o dinheiro pago nos pacotes de ocasião. Em Floripa, uma lancha quase ficou presa sob a estrutura de uma quase praça de pedágio, no caminho para Jurerê Internacional. Vida que quase segue, como você pode ver.

E eu continuo tentando cumprir a promessa de escrever uma crônica. Amanhã, quem sabe…..

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