De volta ao ponto de onde parti

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–       Mãe, o que  você está lendo ?

Ela perguntou, enquanto me mostrava que terminara de ler o segundo livro em menos de uma semana. Esbocei um sorriso amarelo,  ao mesmo tempo em que lhe dava parabéns. Em poucos segundos, lembrei de quem já fui. Porque até alguns anos atrás eu me orgulhava disto, de ler muito, muita literatura de qualidade, muita coisa interessante. Hoje, apenas muita vontade. Em algum lugar eu deixei a capacidade de administrar o tempo para não abrir mão de prazeres como a leitura despretensiosa que não vai virar nota de rodapé, nem citação de artigo acadêmico que se transforma em número no Lattes.

Olhei para a estante repleta de títulos comprados como prova da promessa de retomar o rumo. Repactuei mentalmente minhas metas – repactuar é um verbo do nosso tempo, eu acho.

– Hoje eu começo este aqui – disse, alcançando sem pensar o exemplar ainda novinho de As aventuras de Pinóquio: história de um boneco, em capa dura, edição especial, limitada e belíssima da Cosac Naify.

O título não deve ter sido coincidência. No posfácio assinado por Ítalo Calvino, um motivo para voltar àquela leitura da infância, agora transvestida de obra de arte:

“Quando comecei a escrever considerei Pinóquio um modelo de narrativa de aventuras; mas creio que sua influência devia ser estudada em todos os escritores de nossa língua. dado que este é o primeiro livro que todos encontraram depois da cartilha (ou mesmo antes)”

 

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