Lembranças de um futuro bom

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Meio no estilo Herbert Viana  “eu hoje joguei tanta coisa fora“…. O problema é que remexer no passado é sempre um risco. Sem querer, me encontrei com umas anotações em caderninhos de 2005, 2006 e senti muita, muita saudade. Ali estavam escritas as primeiras impressões sobre um objeto de pesquisa que me persegue até hoje – o infográfico – e muitas das considerações dos membros pioneiros do NUPEJOC. Eles eram todos voluntários no início e, durante meses, nenhum deles ganhava qualquer bolsa.  A gente nem tinha sala para se reunir, mas havia em todos tanta determinação, tanto entusiasmo… Eram pessoas que queriam aprender, mesmo, que queriam fazer daquele tempo na faculdade algo produtivo, integralmente e com um bom humor impressionante.

Passamos bons tempos juntos, depois cada um pegou seu rumo, outros ainda prometem voltar para continuar seus estudos – na Pós -, todos deixaram saudades – alguns, além disto, conceitos. O Felipe Mendes dia destes voltou para visitar o grupo – agora formado por pessoas que não são de sua época. O André Vendrami promete uma visita para breve. A Mayara Rinaldi ensaia a sua volta enquanto publica matérias no DC que vira-e-mexe trazem infografias. Todos renovam todo dia a minha certeza de que investir na pesquisa aplicada, na formação, vale a pena, apesar de tantos percalços e de alguns representantes das gerações mais novas, muitas vezes, não darem o menor valor a nada disto – porque, afinal de contas, argumentam, a bolsa de estágio é praticamente o dobro de uma PIBIC e pesquisa serve para quê, mesmo ?

Universidade é – ou deveria ser – lugar para se buscar e construir conhecimento. Hoje o NUPEJOC tem três bolsistas PIBIC, algo impensável no seu início, mestrando, bolsistas de extensão, verba para pesquisa, outra estrutura. Lembrar de quem um dia me fez  acreditar que isto seria possível é sempre um exercício saudável porque ajuda a enxergar melhor o presente e continuar construindo o futuro. A vida acadêmica é isto….

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Depois de uma semana daquelas, eis que estou de volta ao blog e com uma notícia fantástica. A manchete avisa: checar e-mail com muita freqüência pode ser sinal de estresse. Como boa parte das matérias sobre Ciência, este “pode” pode dizer qualquer coisa. Mas, vamos discutir os “resultados” da pesquisa, porque isto nos diz respeito diretamente.

Lemos na matéria da BBC, publicada pelo UOL ontem e destacada como manchete hoje (os negritos são meus):

O estudo de pesquisadores de universidades da Escócia – um matemático, uma técnica em informática, e um psicólogo – classificou os usuários em três categorias: relaxados, orientados e estressados.

Os caras passam meses (talvez anos) fazendo a pesquisa, certamente bancados pelas Universidades, e viram pesquisadores, assim, no genérico, de universidades da Escócia. Isto, sim, deve ser estressante. Só para matar a sua curiosidade os pesquisadores são ” Computer scientist Karen Renaud, of Glasgow University, with psychologist Judith Ramsay of Paisley University and her colleague Mario Hair, a statistician”, de acordo com matéria publicada em 12 de agosto de 2007 (sim, 2007, ano passado….) pelo The Guardian. Se quiser você pode ler texto semelhante no thislondon.co.uk também. Se eu fosse você lia as duas.

Os “estressados” se sentem pressionados a responder todos os e-mails na medida em que eles chegam e não usam o correio eletrônico como um instrumento útil para a vida pessoal e para o trabalho. Os “relaxados” olham o e-mail quando bem entendem e não se deixam pressionar por pessoas que estão distantes. Já os “orientados” sentem alguma necessidade de usar o e-mail, sempre respondem às mensagens imediatamente e esperam o mesmo das outras pessoas.

Quer dizer, mal-educado agora virou “relaxado”. O pior é que os relaxados não se deixam pressionar por quem está distante. E pelos que estão perto, eles se deixam ? Eu já vi tanta gente mandando email para o colega da mesa ao lado…. Depois, os estressados não usam o correio eletrônico como um instrumento útil. Usam como o quê, então ? Pô e não querem se estressar ! Então usem o email como algo útil, ô pá !

A pesquisa foi feita com questionários respondidos por 177 pessoas – a maioria em profissões acadêmicas ou que envolvem comunicação e criatividade. Nestas atividades, que em geral requerem bastante concentração, o e-mail tem potencial para ser uma grande fonte de distração.

Isto sim, que é uma grande descoberta. E eu achando que email era coisa séria…. Quando lemos a matéria do theguardian.co.uk descobrimos que: “Workers in creative occupations or jobs involving periods of concentration focusing on getting an important project finished – such as academics, writers, architects and journalists – were likely to be worst affected, she [ Karen Renaud] said, while those in call centres for whom constant emails were integral to their work would not have the same problem.” Eu, particularmente, prefiro ficar com esta versão….

Agora, a frase fatal.

“A pesquisa indica que muitas das pessoas que disseram ter pouco controle sobre a própria vida estão na categoria dos “estressados” com e-mail. ”

Quer um conselho ? Ligue para o seu terapeuta, agora ! Eu já estou procurando o email do meu.

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