Quem quiser que conte outra…

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Por Nisia Rizzocapa_nao_era_uma_vez

Este livro é para quem passou a infância sem digerir direito as agruras nas vidas de alguns personagens de contos clássicos: madrastas megeras, vovozinha doente, lobo mau à espreita, abandono de crianças em plena floresta…  Mas também pode agradar, principalmente, a garotada que já teve acesso aos contos clássicos, porque aqui temos recontos muito bem escritos e humorados, reunidos na coletânea “Não era uma vez…” (Ed. Melhoramentos) por autores de diferentes nacionalidades latino-americanas, inclusive do Brasil. O livro tem o selo Co-edição Latino-americana, iniciativa da Unesco para divulgar a produção literária desses países entre si.

Um dos melhores recontos do livro é “A historia de Cinderela tal como me contaram”, da argentina Adela Basch. Dá pra imaginar uma Cinderela sem maus tratos? Maníaco-obsessiva por limpeza? Que não deixa a pobre madrasta e suas filhas camponesas sequer espanarem as peças luxuosas do palácio onde viveu muitos anos apenas ao lado do pai? E que se casa com um príncipe insuportável como ela, outro maníaco-obsessivo por limpeza, com quem nenhuma moça queria se casar?

Em “O vestido novo da imperatriz”, reconto de Heriberto Tejo, do clássico de conotações politicas “A roupa nova do rei”, quem manda no pedaço é a mulher e os costureiros malandros não conseguem enganá-la, claro! E a Chapeuzinho de “Antecedentes de uma famosa historia”, da colombiana Carolina Alonso, é uma adolescente convencida que arma uma humilhante cilada para um admirador secreto, que por sua vez se transforma num bicho terrível.

“Os três porquinho e o lobo-guará”, do escritor e ambientalista brasileiro Angelo Machado, é outro dos melhores, porque é mesmo difícil decidir qual dos recontos é o melhor. O saque genial de nosso representante brasileiro na coletânea é incluir na historia um animal de nossa fauna, ameaçado de extinção, mas que, apenas na historia, é frugívoro… por esses dois motivos, ele ganha a simpatia dos porquinhos. Mas nem tudo é possível  contar aqui, porque o melhor mesmo é acompanhar os fios das historias, como no reconto “Rapunzel (e uma grande desordem)”, de Beatriz Huidobro, do Chile, em que pedaços de muitos clássicos dourados estão trançados e servem de escada para uma boa leitura.

Nisia Rizzo de Azevedo é mãe de três crianças, para quem adora (re)contar historias, além de jornalista e professora. Email: nisiarizzo@yahoo.com.br

 

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Pedrinho, o Saci e o medo

Adoro ler para as crianças. Nos últimos tempos, vários amigos vinham me perguntando sobre livros infantis e vou, portanto, começar a dividir com vocês aqui no blog algumas informações sobre as coisas que temos lido juntos, ok ? Espero que gostem :-*

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medo_grdExtraída do livro O Saci, de Monteiro Lobato, O medo (2012) é uma história bem fofa publicada na Coleção Pirlimpimpim, da Editora Globo (selo Globinho). Em um trecho, o Saci fala para Pedrinho: “A mãe do medo é a incerteza e o pai do medo é o escuro. Enquanto houver escuro no mundo haverá medo“. Este é o espírito que vai norteando a narrativa, enquanto os meninos vêm as mais diferentes criaturas da floresta.

O grande barato é que ao longo da história o Saci vai explicando uma série de coisas para o neto de Dona Benta, à medida que alguns personagens que fazem parte do nosso folclore vão aparecendo diante deles. Sábio, o Saci avisa que “uma coisa existe quando a gente acredita nela; e como uns acreditam em monstros e outros não acreditam, os monstros existem e não existem“.

O bom é que o livro é interessante tanto para crianças menores (na faixa de 6 ou 8 anos) quanto para as maiores, que ainda não chegaram à adolescência. Aqui em casa, todo mundo aprovou….

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